Kassanaya, nome artístico de José Brazão, nasceu na Cidade da Praia, ilha de Santiago, em Cabo Verde. Reside e trabalha em Portugal à 17 anos. O artesanato, a escultura, a cerâmica e a joalharia alternativa, são as principais actividades a que se dedica.
O seu trajecto artístico, podemos dizê-lo, começa desde tenra idade, inspirado pelo avô paterno que era um artesão de ouro e prata. Embora não tenha dado continuidade às pisadas do avô, os projectos que tem desenvolvido na disciplina que designa de joalharia alternativa remetem para essa influência remota.
Foi em Cabo Verde, sua terra natal, que despertou para a vida artística, começando, de início, pela transformação de materiais, e matérias-primas naturais como, casca de côco, bambu, marfim, carapaça de tartaruga, ossos de baleia e chifres. Com esses objectos, chegava o primeiro reconhecimento, e com ele abrir-se-iam as portas para a sua participação em feiras internacionais de arte, no Senegal, Nigéria e em Portugal.
No ano de 1981, viaja para Portugal, em busca de novos horizontes pessoais e profissionais. Procura alargar a sua experiência artística, dando continuidade aos estudos, e aprofundando a sua formação em novas áreas. Contacta com artesãos, participa em eventos culturais, nomeadamente exposições (Palácio Foz em Lisboa, Teatro Experimental de Cascais), em eventos alternativos de rua (Rua Augusta), num período fértil em experiências, partilhas, e produção artística. Permanece durante quase três anos em Portugal, onde se afirma como artesão independente, e de que resultou o nascimento do projecto de joalharia alternativa.
Em 1983 regressa a Cabo Verde, e integra-se no ensino como monitor especializado de trabalhos manuais, trabalhando em todos os ciclos preparatórios das cidades da Praia, e de Santa Catarina, funções que desempenha até o ano de 1991.
De regresso a Portugal nesse mesmo ano (1991), José Brazão/ Kassanaya decide desenvolver nos bairros degradados e de realojamento social da periferia de Lisboa, projectos sócio-culturais com base na experiência vivida em Cabo Verde com crianças e jovens. Destacam-se os seguintes: Cova da Moura, Pedreira dos Húngaros, Apelação (Loures), Horta Nova (Carnide), Bela Vista (Lisboa), Casal de S. Brás (Amadora) e mais de uma dezena de escolas e bibliotecas. Nestes locais realizou oficinas e cursos de iniciação, da talha do côco, às técnicas de batique, de construção de brinquedos em lata e madeira, à construção de máscaras com pasta de papel, esculturas em madeira, etc. Para além do trabalho pedagógico, tem participado em projectos colectivos, e desenvolvido outros, de sua autoria, como "Artes e Culturas do Mundo Lusófono", "Cocada", "Ecoreciclarte", "Ecoarte", "Pankupedra", "Arte Mar", "Pedras Vivas", "Alibentenpu", e "Construsom".
O projecto de escultura "Alibentenpu", onde o artista apresenta trabalhos efectuados em casca do côco, desperdícios em lata, e uma variedade de pedras Portuguesas, tem-se destacado como uma das novas e mais produtivas facetas da sua vida artística. Este projecto, que foi apresentado na Casa da Morna (Lisboa), na 1ª Bienal de Arte Lusófona "Malaposta" (Odivelas), na exposição Internacional de Vendas Novas Portugal (Amadora), e nas comemorações do 32º Aniversário da Independência de Cabo Verde, a convite da Embaixada daquele País em Lisboa, inaugura um momento novo na sua vida artística, projecto a que se tem dedicado com paixão nestes últimos anos.
Kassanaya não tem uma visão purista da arte, pelo que as suas obras procuram reflectir as preocupações do mundo e dos homens, e as perplexidades do seu tempo, sem preocupações ilustrativas ou uma discursividade vincadamente ideológica. Experimenta ainda os fascínios da forma e do volume, e se, por um lado, explora o lado mágico destes territórios, privilegiando esteticamente uma linguagem antropormófica, onde se pressentem as suas preocupações de artista comprometido em diálogo atento com as mudanças, e transformações do seu tempo, por outro, encontramos peças que nos remetem para uma arte ainda exploratória do universo abstracto, herméticas, e que nos solicitam leituras mais ousadas. É assim que algumas das suas peças remetem para a memória de eventos ou traduzem situações extremas, em que a natureza humana está colocada em situações limite, reflectem estilisticamente uma retórica de forças, plasmada simbolicamente na expressão corporal de figuras em tensão, de efeito visual impressivo que não nos deixa indiferentes. Um escultor à procura do seu caminho no mundo da arte, nascido de uma experiência artística rica e eclética.
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24.07.2008. 18:20
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